a curiosidade é um mal que perturba a mente de qualquer escritor barato que se atreva a viver, quando em vez, de contar estórias, causos e fofocas sobre a vida alheia de personagens que sequer existem. uma pessoa, um pé-de-vassoura, um bicho.
pensei na mulher do outro lado da cama, do outro lado do mundo. olhos verdes, pele de lã, traços coloridos completando o rosto. podia ser uma moça embelezando-se antes de dormir - a camisola fina, o corpo quente, as mãos firmes buscando preenchê-la de paz. ou podia ser nada mais que uma boneca desgastada na prateleira do quarto - o algodão rasgado, o pano borrado.
porém, mais importante do que o quadro que se pintava, era a vontade de entendê-lo, a curiosidade. depois de pronto, a moça ou a boneca seriam entregues ao passado, vaga lembrança que só serve de elemento para resolver outras questões que pudessem surgir.