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::Terça-feira, Setembro 23, 2008 ::

- quase trinta -

banco de praça. copacabana. cerca de treze velhinos jogando damas, cartas e conversa fora, enquanto k. continuava a pensar alto.

sozinho. pensava alto em silêncio.


Caronte, a escuridão 09:51 [+]
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::Terça-feira, Agosto 19, 2008 ::
- transparência -

ana usava um vestido colorido perfeito para vender mate na praia. era domingo. chinelinho de dedo e cabelos agitados como se fossem mar.

as cores do vestido a deixavam aparecer, traçavam detalhes do seu corpo que a pele transparente e tímida duvidava ainda em querer desenhar. gritava os preços da bebida como se cantasse uma linda poesia. ou era caymmi.

não recebia cantadas, nem recebia pensão. trabalhava domingo a domingo, como se todo dia fosse o mesmo romance recheado de desassossego e solidão. passava pela areia como um cândido grão a deslizar na rotina do vento.

e era linda mesmo assim.


Caronte, a escuridão 13:18 [+]
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- correspondência -

mal dormia e o sangue já começava a pingar nos seus sonhos. k. sorria amarrado nas tripas do cafajeste que acabara de esquartejar, com cara de dever cumprido e salvador da humanidade. deus estava dentro dele.

suava a noite inteira enquanto sua mente trabalhava para construir as mais cruéis vinganças. ao fim, sempre matava o inimigo com descarga de ódio a esticar seus músculos e o abandonava à própria sorte, despedaçado - porque o desprezo, assim, era a maior das traições.


Caronte, a escuridão 12:51 [+]
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::Terça-feira, Agosto 12, 2008 ::
- simplicidade -

k. se fechou em um quarto três por três e acreditou que dali conseguiria entender o mundo. ouvia os pássaros e suava com o ventilador velho a soprar um vento quente em sua camisa molhada.

pedia comida pela internet, gastando a poupança que acumulara enquanto ainda fazia planos. banhava-se a cada três dias. a barba já estava a esconder o rosto que um dia admirou e, naqueles instantes, apenas encarava no espelho para sentir ódio de si mesmo.

k. não entendia o mundo, mas, trancado, achava que iria entender. não atendia o telefone, nem respondia e-mails para não se deixar influenciar pela opinião dos outros - 'não serei mais nunca uma maria-vai-com-as-outras'. o canto do passarinho já o incomodava... mesma música todas as tardes.

o sol brilhava no fim do inverno e a poeira escurecia sua vista - pesava sua cabeça o pus acumulado pela alergia. 'a vida é tão simples que não quero mais vivê-la', k. escreveu com pouca convicção na parede do quarto antes de dormir. sonhava pesadelos.

o barulho das ruas se repetia naqueles três meses sem sair de casa, sem que nenhuma solução o animasse. o mundo simplesmente continuava enquanto a vida de k. desistia de ser e se acabava.


Caronte, a escuridão 14:58 [+]
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::Sábado, Agosto 02, 2008 ::
- c.a. -

era apenas uma célula que decidiu se multiplicar, como um ditador que buscasse impor seus pensamentos, suas convicções, para dominar o mundo - e logo formou uma bolha.

em poucos instantes, tínhamos uma onda a balançar o corpo e desesperar todos aqueles que nele se sustentavam.

Caronte, a escuridão 00:35 [+]
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::Segunda-feira, Julho 28, 2008 ::
- espiral -

a vida é uma só. ler posteriormente o que se escreveu sobre experiências ou construções mentais é voltar ao passado para reescrevê-lo consciente dos resultados que serão produzidos, com a única correção de que, não se podendo consertar o passado, planeja-se o futuro para realizar os acertos que a vivência apresentou.

escrever este blog sempre foi, para mim, a melhor forma de arquivar personagens, cenários, passagens em um almoxarifado vivo. e a experiência se mostrou correta tantas vezes. valeria a pena tê-lo construído desde o primeiro comentário que recebi por e-mail, de um português barbudo, dono de um papagaio e motorista de bugre em natal.

entretanto, apenas hoje percebi com clareza a função filosófica deste humilde canto virtual. li o primeiro texto que escrevi em três de fevereiro de dois mil e três e o achei atual, como se àquele dia minha vida retornasse, para descobrir, no ensinamento, novos conhecimentos, novas compreensões. digo mais a mim mesmo (que me conheço como ninguém), toda a primeira página dos textos mais antigos está a me revelar segredos sobre o futuro.

lendo mais um pouco, sinto-me feliz por ter sido um cara bacana naquela época. sinto-me feliz por encontrar em mim mesmo o amigo íntimo que preciso para revelar os detalhes da angústia impronunciável cravada no peito. eu estava precisando de mim mesmo, porque vivi, longos tempos, na mente de outras pessoas que queria conquistar.


Caronte, a escuridão 04:12 [+]
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- blockbuster -

a atriz italiana de filmes complexos assistia a tv no canto da sala, comendo pipoca e ouvindo as explosões: adorava super-produções-holliwoodianas-de-alto-orçamento.

não confundia a personagem especial que interpretava com a pessoa comum que carregava na vida real.


Caronte, a escuridão 02:01 [+]
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lado a

'caiu na roda, ou acorda ou vai rodar' - céu/beto villares

madalena era uma mulher comum e acordou com ressaca nos olhos. os beiços sujos do moço que a encurralou, na manhã anterior, entre a barraca de côco e a calçada alta da praia do arpoador ainda estavam a tremer, com a confissão se segurando para não ser dita.

ao lado, via k. mas não conseguia entendê-lo perdido profundamente no sono, 'como podia estar tranquilo depois do que aconteceu?'. madalena jamais assumiria a culpa sozinha e, agora, a única dúvida era se deveria acordá-lo para dizer ou esperar que ele procurasse a dureza do seu dia naturalmente.

como pensou alto, o rapaz despertou para lhe dizer bom dia, como se, realmente, não quisesse perceber o problema - mesmo que ela contasse com todas as letras; 'bom dia, meu bem', disse ele tentando mira-la nos olhos. madalena contou tudo em um cuspe, sem contestar se era bom, se faria bem - e chorou para preencher a vista de água e esfregar a vergonha que lhe restara.

por dentro, estava feliz por resolver a angústia que as palavras, presas em sua mente, provocavam. e nada mais importava que fazer prevalecer, depois disso, suas demais conclusões sobre o tema. madalena ensinaria toda a filosofia necessária para cortar o bolo de culpa que estava a servir de café-da-manhã - k. deveria agradecer por estar sendo servido na cama, como um rei.

lado b

'cada um que passa em nossa vida passa sozinho, pois cada pessoa é única, e nenhuma substitui outra. cada um que passa em nossa vida passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós. leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. há os que levam muito; mas não há os que não levam nada. há os que deixam muito; mas não há os que não deixam nada. esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente que nada é ao acaso' - antoine de saint-exupery

k. dormia e, naquela noite, sonhava com a vida. ana estava encostada numa grade e eles se olharam - era a descoberta do amor. k. dormia e sonhava com a vida que gostaria de ter; roncava e sorria de boca aberta para engolir moscas. e ana largou a grade que prendiam-nos na solidão para ir com seu homem.

zzz

não era a primeira vez que k. dormia, nem a única ou última em que sonhava. a cada noite aprendia algo com os sonhos que imaginava reais - nunca achava ana, mas acordava com joana, mariana, liliana: falsas anas que o ensinavam a encontrá-la.

nenhuma era fiel aos seus pedidos, pois, para realizá-los, k. exigia que as moças abdicassem dos prazeres mundanos, que enfrentassem o deleite dos sentidos. tinha uma fixação por fidelidade e aos princípios maiores de qualquer relação - e andava só, sem amigos ou mulheres para sempre: o ser humano comum nasceu para contestar as leis, inclusive as que jamais deveriam ser rompidas.

k. não sabia se era muito rígido com as pessoas, se era poético demais ao avaliar seres incompletos, se era burro ou o quê. mas tinha certeza que, se era para sonhar, ia sonhar o melhor e, se era para viver, que ia continuar a buscar o sonho mais perfeito que pudesse imaginar. as dificuldades de ana que ele enfrentava ou as que para ela criava, eram oportunidades de se amarem no dia seguinte - bastava que os princípios fossem seguidos com fidelidade.

o sono acabou e logo k. descobriu que era o fim de outro sonho. ana estava em pé ao seu lado, sem grade nenhuma para impedi-la de agredi-lo; se apresentou enquanto ele esfregava a mão para mirar fixamente os olhos de ressaca, sem entender por que não via os puros-amorosos-olhos-de-ana: 'meu nome é madalena', disse lhe dando uma fatia escura de bolo fedorento.


Caronte, a escuridão 01:37 [+]
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::Domingo, Julho 27, 2008 ::
- fortaleza -

o sol incendiava o rosto de k. esticado com seu corpo nas areias de copacabana. há seis anos ele não ia jogar vôlei com os amigos ali e, como os amigos não mais existiam, sobrava a solidão para esquentá-lo.

os lábios estavam ressecados e com gosto de sal trazido pela maresia. na mente, a saudade do tempo que não viveu era resultado do sol, do sal e da solidão - 'por que segui por este caminho?'.

olhou para o relógio, 'tenho vinte e oito anos'. k. não sabia se sobraria tempo para gastar uma semana inteira antes de buscar um novo rumo ou se devia caminhar em direção à felicidade imediatamente, com areia no short e tudo. enquanto isso, contestava suas convicções para superar-se.


Caronte, a escuridão 09:53 [+]
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::Quinta-feira, Julho 24, 2008 ::
- batom -

a cadeira fez um som estridente ao se arrastar no piso e ana se sentou sem pedir licença, com o dedo indicador direito a requerer imediatamente um chope. sabia todos os códigos daquele bar.

seu rosto cansado apontava que sabia os segredos de muitos outros cantos. ana não tinha rugas, o desgaste que a vida lhe causava não se percebia em traços definitivos - era a falta de brilho que denunciava.

tinha vinte e quatro anos quando sentou na mesa; um nariz árabe, boca vermelha de um batom que permanecia grudado em seus lábios, olhos experientes de quem tomava dos erros apenas o coice - sem a lição.

não era bonita, nem feia. apenas usada, como uma matrona na porta do cabaré, olhando os moços a chegar encabulados para visitar suas meninas - e já ciente do que sofreriam para buscar na vida o prazer.


Caronte, a escuridão 12:40 [+]
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::Sexta-feira, Junho 27, 2008 ::
- fobia -

bateu a porta do consultório com revolta. k. sabia que não tinha medo das pessoas - era simplesmente nojo, da modalidade mais asquerosa que um homem era capaz de sentir.

no dia anterior à consulta, por exemplo, escultava atentamente o velho lhe dizer que ia dar um novo livro do seu escritor preferido. entretanto, tinha vontade de atirar o copo de uísque na cabeça enrugada do contente senhor. pois, como podia uma pessoa tão idosa se animar daquele jeito quase às dez horas da noite?

repulsa. k. enxergava os defeitos de todos como se os outros usassem vestes transparentes e ainda, ressaltassem as rugas perebentas que carregavam no umbigo. aquele médico que acabara de lhe dar o veredicto, vejam só, às escondidas da esposa mantinha casos com enfermeiros do plantão de domingo.

tão deficientes eram os homens a seus olhos que a ele causava ânsia de vômito quando algum pretendia lhe fazer um bem. 'por que sorrir? por que se divertir? vamos falar sobre os defeitos e chorar nossos erros'. k. tinha nojo do mundo, do ser humano. não demoraria a sentir asco por si mesmo.


Caronte, a escuridão 12:22 [+]
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- mundo cão -

k. tinha vergonha quando se sentava ao lado de ana, porque ela conhecia todo o mundo em sua volta e ele apenas se sentia seguro em seus olhos.

os músculos quedavam-se tímidos e fechavam os braços a apertar o suvaco, como se a fraqueza estivesse a exalar como mau-cheiro - que espremido, assim, não sairia.

ana havia acabado de chegar de um albergue holandês. e sem querer machucá-lo, contou no celular que foi consumida por um coreano de braços fortes e tatuados e que consumiu tanta cultura que, de conhecimento, sentia-se plena e de cabelos em pé.

k. se perdeu nos cabelos da moça, como se naquele emaranhado pudesse organizar seus pensamentos e esquecer a fixação que sentia pelo nariz arrebitado. mas, como ana voltara com cabelos curtos, a tentativa foi frustrada pelo tempo que seria necessário para o rapaz se encontrar, tomar rumo, ser homem.

ao menos ela estava ali por pena, ou mesmo por acreditar que um dia k. voltaria a ser o homem ágil e sagaz que a encantara. comeram rapidamente uma carne seca desfiada e sem gosto antes de deitarem-se de estômago vazio na cama desarrumada do quarto de dormir.

com os braços espremidos em seu tronco, k. nem sentiu ana direito. sentiu vergonha muita - dessa vez, por ela...


Caronte, a escuridão 12:12 [+]
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::Quinta-feira, Junho 12, 2008 ::
- quase um mês -

...

Caronte, a escuridão 16:32 [+]
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::Quinta-feira, Maio 15, 2008 ::
- menta -

k. se sustentava na vassoura para conter o desequilíbrio do mundo que sentia quando ana passava no salão. mas não era um desequilíbrio poético.

todos os dias, por volta das oito horas da manhã, k. acabava a limpeza do piso do restaurante e esperava sua deusa caminhar da academia até a escada rolante que levava ao estacionamento do shopping. passava em sua frente; dois metros.

nem poético, nem belo. o moço era simples, cabeça raspada, gordo e de pele manchada; e sua amada, uma senhora sem viço e sem graça. mesmo a atração era direta, sem metáforas - mulher rica, limpinha e cheirosa sempre interessa àqueles largados no submundo da vida.

a única mentira de tudo, era a constância. k. insistia, uma manhã após a outra, em invadir os traços de ana, que corria sem sequer perceber a força que fazia a vassoura para conservar o homem no equilíbrio infeliz a que estava entregue.


Caronte, a escuridão 17:32 [+]
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::Sexta-feira, Maio 02, 2008 ::
- pirróquio -

na rússia, os pais deixaram, há muito, de exigir que seus filhos parassem de mentir, 'seu nariz não vai crescer'. desde a última revolução, a preocupação estava em formar homens mais preocupados com a 'constância', coisa de gente evoluída.

assim, nada contra a mentira, desde que ela fosse de tal forma constante que formaria uma realidade.

um autor, então, inventou um conto. um menino inconstante que sofria, a cada deslize, com o crescimento de sua barriga - narrava com maestria a decepção do moço a cada visita na casa da avó para afrouxar as calças.

a ficção teminava com lição de moral e final feliz, no dia em que o principal personagem cumpriu os planos que com convicção traçara; a persistência e a coragem reduziram a nada o tamanho do bucho - a avó fez um discurso nas últimas linhas.

por essas brasileiras bandas, a perseverança é coisa de palerma, a convicção é quase uma paranóia e se valoriza quem canta ser metamorfose ambulante. um livro como aquele jamais faria sucesso.


Caronte, a escuridão 16:49 [+]
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::Quarta-feira, Abril 09, 2008 ::
- disciplina -

desde criança, carrego uma dificuldade em seguir qualquer método. ignoro as regras e convenções e tento me adaptar ao uso através da prática, tentativa e erro. assim, aprendi a jogar futebol, depois de ficar muito tempo na reserva e desta mesma maneira, encontrei minha profissão.

mas, para algumas coisas na vida e sempre para as mais importantes de nossa existência, existe a necessidade de ler, entender e seguir o manual de forma consciente.

e esta maneira consciente, talvez comece pelo ataque com seriedade às deficiências que levam à distração. duas delas: a propensão ao deleite dos sentidos e ao pessimismo - a primeira, desconcentra e a segunda, desacredita o próprio método.

em um estágio do amadurecimento, os detalhes perdem a importância. o homem precisa fortalecer seus fundamentos, preencher o vazio interior, olvidar-se da beleza superficial que o hipnotiza. nem tudo é arte, nem tudo é improviso, nem tudo é riso.

a arte, o improviso e a alegria somente se sustentam sobre uma robusta coluna. não adianta subir ao topo sem cuidar da base, porque se vai ferir seu corpo e sua mente a cada queda. e o contentamento com equilíbrio é sempre mais profundo e duradouro.

por isso, palavras sérias nem sempre estão a dizer que perderam o viço; a negação nem sempre se esconde atrás do medo. para que o homem alcance seus maiores objetivos, é preciso que chegue a ser adulto - porque a responsabilidade que se adquire com o amadurecimento (não com a idade), traz bens que nem podem ser percebidos por quem se prende à juventude.


Caronte, a escuridão 20:34 [+]
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::Terça-feira, Fevereiro 19, 2008 ::
- querer -

ainda que não se esteja a querer de forma pura, desejar algo que não seja aquilo que, conscientemente, possa ser caracterizado como um anelo real continua a ser um querer - um querer impuro, entretanto.

assim, evitar que se enfrente uma luta que já se inicia derrotada não me parece um processo fácil. não é como realizar algo que realmente se queira, de forma consciente; porque isto, pode-se buscar através do controle dos pensamentos puros que estejam ligados ao objetivo. a dificuldade se encontra em perceber os efeitos deste objetivo logo no início.

a concentração para planejar exige, portanto, tantas vezes maior precisão, cálculo e concentração do que a realização do método traçado para se chegar ao êxito pretendido.


Caronte, a escuridão 14:40 [+]
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::Terça-feira, Janeiro 15, 2008 ::
- reticências -

neste blog, doismileoito começa como terminou o ano passado: venho aqui para cumprir prazos e evitar que meus textos sumam no virtual mundo. mas a vida lá fora está animada, eu garanto...


Caronte, a escuridão 22:43 [+]
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::Segunda-feira, Dezembro 10, 2007 ::
- nada disso -

sentado de frente para o mar, k. percebeu que havia se tornado por demais complexo. era uma alavanca de ajuste fino que não se encaixava imediatamente em seu lugar, mesmo que a mão não tremesse na exata hora de fixá-la.

eram onze horas da noite e o vento batia em seu rosto. ele já devia estar em casa, de banho tomado, pijaminha de flanela; mas queria entender tudo naquele instante. desligou o celular para não desejar que alguém estivesse ligando para ele. qual seria a primeira pergunta?

k. não gostava de ser complexo. queria ser simples, doutor em alguma ciência inútil, crente em uma religião rasa, marido traído de uma rapariga sem vergonha que nem se preocupava com a amante que ele mantinha em um apartamento na zona norte. queria ser tão fácil de se entender que pudesse mudar de vida como quem troca de cuecas.

nada disso. trabalhava e vivia uma vida feliz. e em vez de correr quieto até sua morte aliviar ou constranger amigos e parentes, queria saber sobre o sentido de tudo, formar conscientemente todos os conceitos e sua individualidade. sem poder, simplesmente, beber o refrigerante que o comercial indicasse.

ninguém o entendia. e naquela corrida pelo calçadão, ele próprio passou a desconfiar de sua razão.


Caronte, a escuridão 12:07 [+]
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::Quarta-feira, Dezembro 05, 2007 ::
- nada a declarar -

o arnaldo jabor declarou: depois de quinze anos, voltará a filmar.


Caronte, a escuridão 00:50 [+]
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